"As pessoas me perguntam por que eu escrevo coisas tão brutas. Gosto de dizer que tenho um coração de menino; está guardado num vidro em cima da minha escrivaninha."

(Stephen King)



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segunda-feira, 29 de maio de 2023

O que havia




Havia uma tristeza.

Pairada etérea no ar

E em tudo depositada

Como fina poeira em camada.

Que as cores desbotava

Azedava todo sabor

Tornava amargo cada gole

Qualquer canção silenciava.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Imperfeito



Não podemos seguir adiante
No caminho que é meu e seu, nunca nosso
A passo trôpego, em jornada errante
Deixamos de rastro o medo constante
Ao abandonarmos o sou, pensando no posso.

Somos fios soltos na malha da vida
Desfiando, desfazendo e voltando a tecer
Refeita nova/velha em trama torcida
Feia, errada, causando ferida
Nos que nada podem e só fazem crer.

Impossível fugir da história em comum
Que em rascunho mal feito foi engendrada
Pelo acaso, destino e por deus nenhum
Matamos, perdemos irmãos um-a-um
Por falsas verdades de homens, forjadas.

Se juntos não vamos, longe não somos
Quando nenhum de nós precisa ceder
Se a fé é em Um por quem criados fomos
Certos, errados, não importa em que opomos
Tolerância basta para se conviver.

No entanto suportar não parece o bastante
O mais certo seria amor e respeito
O olhar para o outro como igual, semelhante
E ainda que a compreensão me pareça distante
Entender que como ele sou falho, imperfeito.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Paisagens



Não hesitou.
Abriu os olhos
Contemplou o vazio antes do abismo.
Com a mão, varreu o frio do lugar vago.
Não chorou.

Curara a ferida.
Sentia a cicatriz e gostava.
Nada de sinal discreto
De pele fina, sensível.
Mas queloide grosso
Tecido fibroso, rígido.
Feia, deformante
Melhor assim.

Desprezou os lençóis
Não olhou para trás.
A cama era deserto.
O coração, terreno sulcado
Estéril.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Só Sinto




Sinto frio
Sinto dor
Sinto raiva
Só não sinto muito.

Sinto falta
Sinto medo
Sinto-me um pouco
Só.
E só, não sinto muito.



terça-feira, 18 de março de 2014

Dia de guerra

Fonte: Google imagens.

Não quero ouvir coisas legais.
Preciso do meu mau-humor. Deixe-o aqui!
Se o que tem são palavras de exortação, melhor sair
Porque já não posso garantir minha boa educação.
Hoje, quero mesmo desfiar meu rosário de grosserias
Expurgar meu ranço
Exorcizar demônios próprios e alheios
Diagnosticar males em vez de chorar dores.


Não me ofereça a mão, levantarei quando me sentir pronta.
Caso magoe ver-me assim, vá. Pode ir.
Pois não é minha intenção perdê-lo. 
Quando acabar, quero poder combinar com você qualquer coisa
Olhá-lo nos olhos e contar como deixei o inferno.
Mas não agora.
Saia.
Hoje é dia de guerra e a sua paz não me interessa.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Até o fim



Leva-me leve, nas pontas dos dedos
Para que eu não perceba e me assuste.
Porque de medo também morre o amor
E por insegurança, mata-se a felicidade.

Toca-me sempre e devagar
Para que eu me acostume e goste.
Olha-me muito, escuta e fala
Pois importantes são os gestos,
Mas igualmente são as palavras.

Quando eu fugir, busca-me
E me acolhe quando eu voltar.
Que sejam teus braços refúgio seguro
Para onde eu retorne sem receio, sem tredice, sem pesar.

Aconchega-me bem junto do peito
Para que eu te ouça o coração e me convença de que aquele lugar é meu.
E é ali que vou querer estar para sempre
Sendo eu mesma
Até o fim.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Filosofia clichê de um apaixonado












Amantes têm palavras românticas
Amores, muda cumplicidade.

Amantes festejam vitórias
Amores comemoram conquistas.

Amantes têm códigos secretos
Amores, linguagem própria.

Amantes traçam planos
Amores fazem projetos.

Amantes têm olhares insinuantes
Amores, olhos reveladores.

Amantes são alegres
Amores, felizes.

Que os amantes possam desfrutar da plenitude dos amores.

E que os amores jamais deixem de ser amantes.