Conto escrito para o 6° Desafio de Escritores, cujo tema era "O Jardim da Delícias", quadro de Hieronymus Bosch.
— Mestre Jeroen, está acordado?
A voz de Margô o despertara no primeiro chamado, porém ele relutava em abrir os olhos; a luz podia ser dolorosa. Tentava, ao mesmo tempo, evitar e manter na mente as imagens que o assombravam desde a noite anterior.
— Mestre Jeroen...
— Sim, Margô, estou acordado.
— Perdão, Mestre, por incomodá-lo, mas é que está aqui um servo da Casa de Nassau e ele diz que seu senhor o mandou perguntar sobre a obra encomendada.
— Diga-lhe que espere. Descerei em alguns minutos.
Margô assentiu e retirou-se.
Jeroen sabia que Henrique de Nassau não tardaria a cobrá-lo pela obra, há muito encomendada e paga. No entanto, estava com sérias dificuldades para produzi-la. “Uma visão nova sobre a humanidade e o sagrado”, pedira Nassau e o que á princípio lhe parecera simples tornou-se um desafio. Como produzir algo novo sobre a velha relação Homem/Deus? A resposta veio por meio de um exótico e incrível objeto, que ele conhecera na taverna um dia antes.
